12 October 2006

Dona Neide 12/10/1924 - 25/01/2006



Essa senhora aí na foto é a Dona Neide. Neide de Mattos Vidal. Acho que o nome dela de solteira era Neide Brusco de Mattos. Mas não posso dizer com certeza. Quando eu nasci, ela já era de Mattos Vidal e nunca ouvi chamarem ela por outro nome.

Ela é minha vó.

Vovó Neide tem uma história muito bacana. Filha de imigrantes italianos, quando era ainda um bebezinho, o meu bisavô, Ivo, morreu. Segundo reza a lenda, ele morreu de "nó nas tripas", mas também tem a versão de que ele foi envenenado por ser ativista anarquista... ehehehe

Com 4 filhos para criar, minha bisa, Thomazina, foi trabalhar. Apesar da família do Ivo ter dinheiro, a bisa não quis ficar sob os cuidados deles e isso acabou causando um racha na família. Bisa Thomazina foi trabalhar numa fábrica de chapéus. Minha avó ia com ela para a fábrica. Cresceu trabalhando.

Lá pelas tantas, quando estudava na Escola de Comércio de São Paulo, apaixonou-se pelo professor, o Sr. Geraldo Vidal, meu avô. Eles namoraram, casaram e tiveram 4 filhas. E seis netos. Eu sou a única menina da trupe.

Mas a vó Neide era guerreira. Queria ir para a Segunda Guerra Mundial, ajudar. Mas não pode se alistar porque tinha pouco peso. Não satisfeita ela foi brigadista contra incêndio. Tem uma foto dela de farda. Depois de casada começou a costurar. Depois, junto com a costura, dava aulas de corte e costura e chegou a ter uma escola só disso, ensinando o método centesimal, que eu aprendi mais tarde. Ela também coordenou grupos de bandeirantes em São José dos Campos.

Adorava viajar e conheceu muitos países do mundo, e várias partes do Brasil. Fui com ela para o Paraguai quando eu tinha 12 anos. Nunca vou me esquecer dessa viagem.

Quando meu avô se aposentou, mudaram de Brasília para Caraguatatuba, litoral de São Paulo. Lá se dedicou a um clube para a melhor idade e ajudava meu avô nas obras assistênciais que ele ajudava a manter.

Ano passado, depois de anos e anos convivendo com o Diabetes e todas as doenças que o acompanham, foi diagnosticada com câncer. Primeiro no intestino. Depois descobriram no pulmão. Dia 25 de janeiro ela foi embora para o país do verão eterno. Morreu no lindo jardim da casa dela, que ela amava tanto e cuidava com carinho.

Taí. Parabéns vovó pelo seu dia. Obrigada por tudo que me ensinou. Fique em paz. Nos vemos um dia.

1 comment:

tresporquatro said...

Lindíssimo texto. Criaturas mágicas, essas avós! Predigo vida eterna para elas, muito embora a minha esteja no limiar de visitar a sua... quem sabe elas não fazem uma cooperativa de crochê!!! :):):)
beijocas.